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Tendências em T&D para os próximos anos: Você está preparado(a) para elas?  

Luiz Eduardo V Berni (*)

Se você der uma olhada os títulos e os resumos das palestras e workshops dos últimos Congressos Brasileiros de Treinamento e Desenvolvimento (2005 e 2006) promovidos pela ABTD, bem como, nos capítulos do recém lançado Manual de Treinamento e Desenvolvimento da Pearson Prentice Hall (2006), terá uma boa idéia de qual será a tendência em T&D para os próximos anos. A função de um congresso anual, seja em que área for, é a de apresentar aquilo que tem dado certo, bem como a de buscar novas formas de fazer aquilo que vinha sendo feito sempre de um mesmo modo. Já um Manual tem um caráter mais permanente e de longo prazo, visto que se trata de um guia de orientação ao profissional da área e, dadas suas características editoriais, reflete algo mais duradouro. Evidentemente os Congressos e esse tipo de livro, os manuais, têm uma função complementar. Neste artigo vamos cruzar informações dos últimos Congressos da ABTD com o conteúdo do Manual de T&D e colocá-las em diálogo com temas da atualidade na busca pelas tendências para a área de T&D para os próximos anos.

CBTD

Ao olhar de maneira rápida, como geralmente fazemos quando escolhemos uma palestra num congresso, raramente nos damos conta que, por trás do óbvio, ou seja, dos títulos clássicos de  T&D com palavras como liderança, competência, motivação, talentos etc há uma tendência que poderá ser adotada num futuro como um paradigma. Um olhar mais atento, entretanto, sobre esses conteúdos revela algo mais. Os títulos apresentam geralmente um complemento e este complemento pode nos dar preciosas informações. Nos congressos os trabalhos apresentam-se geralmente sob duas perspectivas. Uma que aponta para aquilo que tem dado certo no mercado e, portanto, estão centrados em formulas já consagradas e outras que apontam para algo mais inovador, ousado às vezes mais contundente com palavras como: Gaia, magical, dança, canto, brincando, humor, amor e transcendência, apenas para citar alguns.

Um trabalho com um título inovador pode ser reflexo de um modismo momentâneo, coisa muito comum em T&D, mas a permanência de um foco em variados temas, entretanto, pode indicar uma tendência. Evidentemente nem todo trabalho apresentado sob um título tradicional reflete uma apresentação tradicional, pois às vezes um palestrante coloca um título mais conservador em sua apresentação visando atrair um determinado público para, durante a apresentação, lançar mão uma nova estratégia procurando surpreender a platéia. Às vezes acontece exatamente o contrário um trabalho traz um título inovador e sua apresentação é tradicional.  Seja como for os Congressos apresentaram essas duas tendências, como, aliás, não poderia deixar de ser.

O CBTD 2005 explorou a temática da liderança. Diferentes dimensões da liderança foram tratadas com um enfoque claro rumo à liderança servidora, preconizada por best-seller de James Hunter O Monge e o Executivo. Foram exploradas também as questões do poder pessoal, por meio da descoberta interior e do coaching.

Em 2006, embora a temática fosse a do desafio, houve a permanência de alguns temas nas apresentações cujos títulos enfatizavam uma tendência à liderança mais amorosa, sistêmica, humana, na linha da liderança servidora, portanto temos aqui uma tendência. Há também a recorrência dos recursos lúdicos e de entretenimento, como a dança, o teatro, o canto, os filmes que continuaram ganhando espaço. O que encontramos de novo em 2006 foram as temáticas ligadas a TI e o E-learning.

Manual

Como já afirmamos, enquanto um congresso reflete a “última tendência”, um manual reflete uma tendência de longo prazo. É importante que se diga que o Manual de Treinamento e Desenvolvimento não é exatamente novo. Trata-se de um projeto editorial que se faz presente para os profissionais de T&D há 25 anos. O livro veio passando, ao longo de suas quatro edições, por um processo de atualização. Na última edição, lançada no ano final de 2006, ele foi completamente reestruturado. Trata-se de uma publicação em dois volumes sendo que o primeiro é focado mais nas questões de gestão e estratégias; e o segundo nos processos e operações.

Da mesma forma como pudemos observar nos congressos, os temas clássicos estão presentes, tais como: planejamento, avaliação de resultados, formação de multiplicadores, gestão de pessoas, etc. O que há de novo então, que poderia indicar uma tendência futura? Logo de cara, no primeiro volume, podemos observar algo surpreendente. Ao lado dos títulos visão e valores, temos a questão da espiritualidade. Os temas TI e E-learning também se fazem presentes, além da música, do teatro e do vídeo. Ancestralidade, essências florais e técnicas orientais, também estão lá. Seriam essas tendências?

Tendências

Todas as pessoas que trabalham no mundo corporativo sabem da importância da inovação, ela é a mola propulsora para a continuidade do negócio. Nos últimos tempos temos acompanhando uma tendência de inovação em T&D com trabalhos mais lúdicos, vivenciais e portanto mais atraentes aos participantes, visto que a construção de uma competência não se faz apenas pelo conhecimento. Ao lado desta, se mostra cada vez mais presente a importância das TICs e do E-learning. Também pode-se observar a questão da autogestão do conhecimento e da carreira, assim como a importância   do autoconhecimento estão cada vez mais presentes também. Mas seriam essa tendências permanentes? Estudos sobre a eficácia dos treinamentos mostram que propostas meramente conceituais agregam pouco aos participantes e conseqüentemente às organizações, embora continuem a serem importantes.

O relatório sobre sustentabilidade econômica publicado pelo governo inglês, no mês passado, nos dá uma importante dica. Esse relatório enfatiza que cuidar do planeta é importante. Puxa que novidade, você pode dizer? Realmente pode não ser novo, mas é a primeira vez que um governo reconhece isso do ponto de vista econômico. Mas o que isso tem a ver com as tendências aqui mencionadas? Ora, tem tudo a ver. Ao compararmos os temas do CBTD com os capítulos do Manual de T&D vemos que, além da praticidade lúdica mencionada, há também  uma tendência a se tratar T&D recuperando questões mais profundas e fundamentais para os seres humanos, como a espiritualidade, por exemplo, fato que não deve ser confundido com religião.

As técnicas orientais, e a ancestralidade temas contidos no Manual de T&D, indicam, também, caminhos de contato e preservação da natureza. Aspecto que é preservado, tanto nas culturas tradicionais orientais quanto nas indígenas e africanas.  Assim penso que essas serão tendências marcantes para a área nos próximos anos que estarão refletidas em questões de sustentabilidade e qualidade de vida.

Mas, ao mesmo tempo em que se avança para um resgate da Tradição, avança-se também para a virtualidade. O E-learning, ganha cada vez mais presença nos espaços corporativos. Desta forma, a tendência ao um resgate das dimensões mais lúdicas, e tradicionais do Ser Humano, quando colocada em diálogo com o absolutamente inovador, como nas possibilidades do E-learning, nos dão uma combinação no mínimo interessante. Portanto, temos que estar preparados para dançar, cantar e servir presencialmente e para a uma reflexão mediada a distância no e-learning.

Essa mesma tendência, todavia, não é exclusiva do mundo de T&D. Ela pode ser observada, também, no mundo Acadêmico sob a ótica da TransD ou Transdisciplinaridade, cujos elementos são encontrados, por exemplo, na Liderança Servidora que, aliás, não foi inventada por James Hunter, mas por Gandhi. Portanto, meus amigos, penso que essas serão as tendências para T&D nos próximos anos para as quais devemos estar preparados. Você e sua Organização estão?

(*) Luiz Eduardo V Berni  é Personal Coach, criador do Processo Self-Empowerment, palestrante, diretor da Thot Desenvolvimento Humano e consultor associado da Sistema Boog de Consultoria. (levberni@thotdh.com)

 

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