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Sistemas geram comportamento

Décio Fábio de Oliveira Júnior(*)

Nos dias atuais cada vez mais a geração de valor nos negócios se desloca do capital financeiro para o capital humano e a criatividade. Empresas como a Google, Amazon, e outras nos revelam que o relacionamento humano criativo e cooperativo dentro das empresas é que está gerando e agregando valor hoje em dia. Isso afeta gigantes corporativos e empresas de pequeno e médio porte de forma igualmente importante.

Buscar os comportamentos que fomentam tal atitude é portanto fundamental para o sucesso empresário hoje.

Nesse cenário a descoberta por parte de um estudioso alemão chamado Bert Hellinger das leis fundamentais que governam o relacionamento humano em grupo se destaca como um know-how importantíssimo para o gestor.

Bert Hellinger descobriu que 3 leis ou necessidades básicas que atuam nos grupos humanos, bem como a conseqüências que se observam quando tais leis são violadas:

Lei Efeitos
Equilíbrio no dar e receber Se existe equilíbrio as relações tendem a ser harmônicas e duráveis, se não existe o equilíbrio, o turnover de funcionários é alto, surgem conflitos, doenças no corpo de funcionários, perda de talento, etc.
Ordem (hierarquia) Se a hierarquia é bem definida, clara – bons efeitos, todos sabem seu lugar e sua função, cooperação máxima. Se ocorre o oposto nota-se insubordinação, competição interna desgastante, retrabalho, conflitos inter-setoriais crônicos.
Pertencimento (respeito ao direito de vínculo) Se isso ocorre, a motivação é algo natural, todos se sentem participantes da meta da empresa, se ocorre o oposto surge desmotivação, alienação, comportamento egocêntrico, conflitos de lealdade, outras lideranças externas passam a ter mais poder como o sindicato, etc.

O mais interessante dessa descoberta é que Hellinger percebeu que tais efeitos atingem o comportamento de pessoas que não estão relacionadas com o evento original, mas continuam reproduzindo um comportamento mesmo depois que a causa original passou. Isso é coerente com experiências importantes no campo do comportamento organizacional.

Num desses experimentos por exemplo, conduzido em 1971 na Universidade de Stanford[1] visava descobrir como as regras ou sistemas afetavam o comportamento de pessoas numa prisão. O experimento empregava estudantes que “simulavam” o papel de “prisioneiros” e “guardas”. O estudo deveria durar 2 semanas e foi interrompido prematuramente no sexto dia pois os “guardas” se tornaram em sua maioria “sádicos e cruéis” e os “prisioneiros” mostravam nítidos sinais de “sofrimento extremo”. Todos sabiam que era um experimento, um “faz-de-conta” e mesmo assim assumiram comportamentos que pareciam sair do controle dos próprios indivíduos. Como pode ser isso?

Os estudos de Hellinger mostram que os sistemas (grupos humanos estruturados, como famílias e empresas) tem regras tácitas (nem sempre declaradas) e que tais regras “induzem” comportamento. Ou seja: sistemas geram comportamento.  Sendo assim, muitas ações de gestão de pessoal centradas no indivíduo têm um efeito apenas passageiro, pois se o “sistema” e suas regras não forem levadas em conta, ele acabará induzindo de novo o velho comportamento que se quer modificar.

Há algum tempo, um amigo que é empresário do setor gastronômico me queixou que havia um setor em sua empresa onde sempre existia um “encrenqueiro”. Havia sempre um funcionário que criava caso com a gerência, rebelava-se e colocava os demais membros da equipe contra o gerente. O curioso era que assim que ele demitia o “encrenqueiro” outro funcionário, antes “bom”, assumia um comportamento “mau”. Uma análise do histórico da empresa revelou que naquele setor tinha ocorrido diversas demissões arbitrárias, (violando o direito de vínculo das pessoas que pertenciam à equipe) gerando então esse comportamento “sistêmico”. Sob a orientação adequada, medidas corretivas do sistema foram tomadas e o comportamento repetitivo e “misterioso” dos funcionários foi sanado em pouco tempo no setor em questão.

(*) Décio Fábio de Oliveira Júnior (*) é Diretor do Instituto Bert Hellinger Brasil Central, em Goiânia – GO - decio@institutohellinger.com.br
www.institutohellinger.com.br

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