+55 (11) 5183-5187  ou  5183-5096

contato@boog.com.br

RH TAMBÉM ESTRESSA

 

O processo de constante mudança tem levado as empresas a enfrentarem ritmos cada vez mais acelerados. Na prática, geralmente, isso resulta em profissionais estressados e até mesmo com problemas que afetam diretamente à saúde, como por exemplo, enxaquecas, hipertensão arterial, gastrites, falta de sono e irritabilidade. Dentro desse contexto, o profissional de RH é chamado para melhorar a qualidade de vida dentro das organizações. Mas, quem pára para pensar nas pressões que o RH tem que enfrentar? “Ache tempo para cuidar de si. Quem não encontra tempo para cuidar da sua qualidade de vida, vai acabar compulsoriamente encontrando tempo para cuidar de sua recuperação em alguma doença resultante do estresse”. Esse é o alerta que o consultor e terapeuta organizacional, Gustavo Boog, dá ao profissional de RH que se encontra cercado pelas constantes pressões vividas no dia-a-dia organizacional. Em entrevista concedida ao RH.COM.BR, ele faz um balanço de como anda a qualidade de vida de quem atua na área de Recursos Humanos. Confira!

RH.COM.BR - A área de RH tem sido convidada para ser uma parceira estratégica das organizações. O resultado se reflete em profissionais de RH que tentam acompanhar as constantes mudanças num ritmo cada vez mais acelerado. Hoje, que análise o Sr. faria da qualidade de vida dos profissionais de RH?
Gustavo Boog - Quero começar com uma provocação: o que chamamos de “RH” deveria ser chamado de “Gestão de Pessoas” ou outros nomes mais adequados. Ninguém gosta de ser RH. Mas, para me adequar ao termo da pergunta, usarei o nome RH “sob protestos”. Os profissionais de RH, assim como os profissionais de qualquer área da empresa estão, geralmente, com sua qualidade de vida muito baixa. Isto é resultado de um a enorme pressão por resultados, cronogramas apertados, muitas mudanças de planos e prioridades, exigindo enorme malabarismo: o que hoje é urgentíssimo, amanhã já não é mais. Em compensação, o projeto de que era pouco prioritário agora tem que ficar pronto para ontem. Na área de RH em especial foram cortados muitos níveis e profissionais, sendo que em diversas empresas que conheço os cortes foram excessivos, atingindo não só as gorduras, mas os músculos e os nervos. Essa estrutura reduzida exige jornadas longas de trabalho todos os dias dos que sobrevivem. Os e-mails também se transformaram numa fonte de pressão que consome de ma a duas horas por dia. Tudo isso rebaixa a qualidade de vida.

RH - Então, podemos afirmar que o RH tem se preocupado com a qualidade de vida das demais áreas e esquecido a si próprio? Isso não seria uma contradição?

Gustavo Boog - Existem muitos tipos de empresa, assim como existem muitos tipos de RH. Em muitas organizações o tema qualidade de vida é apenas discurso que não coincide com a prática. Em outras, busca-se minimizar os efeitos da baixa qualidade de vida. Em outras, ainda, procura-se efetivamente ter uma boa qualidade de vida. Acho que a maior contradição é anunciar qualidade de vida e efetivamente não aplica-la e isso, pode aplicar-se a qualquer área e a qualquer nível dentro da empresa. Isso não é algo exclusivo da área de RH.

 

RH - Que parâmetros o profissional de RH deve considerar para identificar que está entrando numa situação de estresse perigoso?
Gustavo Boog - Quero enfatizar que o estresse não é algo unicamente centrado no RH. O estresse ataca a todos de forma silenciosa. Há muitos indicadores para mostrar que estamos entrando na faixa de perigo, tais como irritação constante, ou seja, pavio curto. Há também dificuldades de sono, desânimo, falta de alegria, distúrbios digestivos, hipertensão arterial, entre outros. Como se vê, são aspectos que nos influenciam pessoalmente, o que se reflete no coletivo de um departamento e na empresa como um todo.

RH - Quais são os principais agentes estressantes que têm atingido diretamente o RH?
Gustavo Boog - O RH, em especial, tem a responsabilidade funcional pelo bem-estar dos colaboradores e pelo ambiente de trabalho. Se o clima organizacional é adverso a isso, o RH tem neste papel um fator adicional estressante. Existem ações incorretas que afetam profundamente as pessoas que de alguma forma desembocam na área de RH e que são: não definir claramente onde queremos chegar, ou seja, as metas, os objetivos, os prazos e os parâmetros; não treinar adequadamente as pessoas para as tarefas que precisam executar; não fornecer informações, equipamentos, ferramentas adequadas ao trabalho a ser executado; não fornecer reconhecimento emocional e reforço positivo; não recompensar adequadamente as pessoas pelos resultados e pelas contribuições que trouxeram à empresa; não oferecer oportunidades de crescimento e desenvolvimento; não abrir espaço para que as pessoas possam influenciar o seu ambiente de trabalho; e não estimular o espírito de equipe.

RH - Sabemos que muitos profissionais de RH enfrentam fogo-cruzado, pois precisam conciliar o interesse das empresas e dos colaboradores. Nesse momento, como o RH pode manter o equilíbrio das emoções?
Gustavo Boog - Adoraria ter uma receita mágica e pronta. Mas, não tenho. Sempre há interesses conflitantes e se deve buscar um nível mais elevado, onde isso possa ser conciliado. Exageros na busca de resultados de curto prazo em geral levam a perdas a médio e a longo prazos. Assim, se pudermos buscar uma estratégia ganha-ganha entre empresa e seu pessoal, todos saem lucrando num prazo maior. O exemplo das melhores empresas para se trabalhar mostram que as organizações que valorizam as pessoas têm resultados de negócio muito melhores que as outras. E isso, é baseado em estudos comparativos feitos por órgãos da Universidade de São Paulo – Usp.

RH - Que conseqüências um RH estressado pode trazer para a empresa?

Gustavo Boog - Um RH estressado, assim como qualquer outro profissional, só conduz a prejuízos, tanto nos resultados como no clima de motivação, como na aberturas a inovações. É sabedoria gerencial buscar um equilíbrio entre resultados, pessoas e inovação. Muitos dirão: “mas, não é fácil!”. E não é mesmo, mas a essência do papel das lideranças, que devem ser verdadeiros e atuantes Recursos Humanos é esta. Quem não se ajustar e gostar profundamente deste papel nunca deveria assumir uma posição de liderança nas organizações.

 

RH - Sabemos que o RH está sempre voltado para a qualidade de vida dentro das empresas, pois isso tem sido considerado um dos fatores responsáveis pela retenção de talentos. Se o RH é quem cuida da qualidade de vida das outras áreas profissionais, quem cuidará dele?

Gustavo Boog - Creio que é um erro delegarmos a alguém a responsabilidade pela nossa qualidade de vida. Isso é um projeto que cada um deve conduzir pessoalmente. O profissional de RH pode estimular a todos a buscarem qualidade de vida, mas cada um é responsável pela sua própria. Existem muitas empresas que oferecem isso e com certeza vão atrair pessoas mais preparadas, competentes e equilibradas. À medida que nossa economia está aquecendo-se e mais e mais oportunidades de trabalho estão surgindo, aqueles que “engoliram sapos” da falta da qualidade de vida vão deixar as empresas “esmagadoras de gente”. Prevejo uma verdadeira revoada de talentos acontecendo nos próximos tempos.

 

RH - O que o Sr. diria para o profissional de RH que atravessa um forte momento de estresse?
Gustavo Boog - Antes que seja tarde demais, ache tempo para cuidar de si. No livro “Relacionamentos”, que escrevi em conjunto com Magdalena Boog, propomos muitas ações de como cuidar de si no âmbito físico, emocional e espiritual. E assim é a qualidade de vida, num conceito muito mais amplo que apenas implantar uma academia de ginástica na nossa empresa ou proporcionar palestras sobre alimentação saudável. Essas ações são muito válidas, mas não podemos ficar só tratando dos efeitos, as causas devem ser identificadas e removidas.

 

O texto de autoria de Patrícia Bispo foi publicado na seção Qualidade de Vida do site http://www.rh.com.br

Ver Todos os Artigos

SOLICITE ATENDIMENTO


captcha