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QUESTÕES GERENCIAIS

(*) Gustavo G. Boog

Recentemente estive trabalhando em Manaus e encontrei um querido amigo, com o qual convivo pouco, mas com quem tenho sempre papos enriquecedores. Conversando com ele durante o almoço de domingo (esse é o lado não tão gostoso da consultoria: ter que almoçar longe da família, num hotel, num domingo), conversamos sobre nossas percepções sobre o que acontecia no universo empresarial. E ele me fez uma provocante pergunta: o que você tem percebido como tendência de comportamento no mundo empresarial?

Pensei por uns instantes e respondi:

Creio que a maioria das pessoas que estão no mundo das organizações vive um enorme e intenso conflito de prioridades, entre as demandas profissionais e as demandas pessoais.

De um lado, as pessoas são impulsionadas pelas conseqüências do intenso aumento globalizado da competição, por rebaixamentos de preço, por reduções de custo na base do “custe o que custar”, por sobrecarga e longas jornadas de trabalho, por ter que estar à disposição da empresa 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados,  pela insegurança nos cargos, por ter de responder e-mails ou participar de conference calls altas horas da noite, por ter que fazer hoje o trabalho que era feito por 3 ou 4 pessoas há uma década, por ter que gerenciar muitos projetos de alta prioridade de uma só vez, por uma brutal pressão para atingir resultados de curto prazo, num imediatismo e ritmo alucinantes.

Por outro lado, as pessoas buscam intensamente um maior equilíbrio pessoal, uma qualidade de vida mais elevada, de viver com menos stress, de ter mais tempo para a família, para acompanhar o crescimento dos filhos, de ter tempo para atividades físicas, de ter um hobbie, de curtir os amigos, de estar na natureza, de ter tempo para poder ler um livro, ouvir música, de meditar ou de estar só. É um anseio vago de “eu preciso fazer alguma coisa para mudar minha vida”. É o reconhecimento e a consciência de que esse não é um ritmo saudável, de que esse modo de vida vai custar caro. Achei uma frase dita por um profissional que retrata esse conflito: “ou eu tenho tempo com a minha família ou eu tenho tempo para sustentá-la – não as duas coisas”.

A erosão e quebra dos “contratos psicológicos” entre as organizações e as pessoas, corroendo a confiança, a segurança e os relacionamentos, tem levado as pessoas a buscarem a segurança mais dentro de si mesmos que no emprego, no patrimônio, na fama ou no sucesso material. As pessoas anseiam por serem preenchidas de sentido por suas vidas, e isso é algo que o material nunca pode satisfazer. Assim, na busca de sentido e direção, as pessoas encontram na espiritualidade o que procuram. É o encontro consigo mesmas e com o nível espiritual.

Também dentro desse quadro, estamos imersos numa devoradora máquina de consumo, onde somos engrenagens agindo para o TER, colocando o SER num segundo plano, cuidando dele quando houver tempo (e nunca há, pois não é prioridade). Ao sermos  impulsionados pelo consumo precisamos de mais dinheiro, e aí temos que trabalhar mais, e aí o marido e a mulher precisam trabalhar mais, e o desejo de consumir mais nos leva a assumir dívidas, e aí temos que pagar parcelas e juros, e aí temos que trabalhar mais horas, num infindável e destrutivo ciclo vicioso. Não é difícil fazer a conexão desse quadro com a erosão do meio ambiente e o aquecimento global.

Se investirmos um pouco de tempo para refletirmos o que é essencial e o que ésupérfluo em nossas vidas, teremos adquirido uma chance boa de reverter esse quadro. Todos buscam uma vida mais equilibrada, esse é um anseio universal. A simplicidade voluntária é um caminho para deixarmos de viver como autômatos e começarmos a realmente assumir as rédeas de nossas vidas.

Quem está no comando de nossas vidas?

O texto “Votos” de Victor Hugo resume tudo: “Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga “isso é meu”, só para que fique bem claro quem é dono de quem”.

 (*) Gustavo G. Boog é Consultor e Terapeuta Organizacional, conduz projetos de elevação da competência pessoal, grupal e empresarial. Fone (11) 5183-5187 E-mail contato@boog.com.br Site www.boog.com.br.

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