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QUEREMOS CRESCIMENTO OU DESENVOLVIMENTO?

 Edward Zvingila (*)

Crescimento é algo desejado, mas nem sempre estamos dispostos a correr os riscos necessários para que ele ocorra. Na natureza não existe opção, tudo ocorre por instinto, ou determinação genética, ou seja, não existe escolha. Um leão é um animal carnívoro e ele não tem opção de se transformar em vegetariano, é da sua natureza se alimentar de carne e a única coisa que ele pode fazer é escolher entre as presas disponíveis que atacará. Esta introdução é extremamente necessária quando fazemos qualquer analogia entre a natureza e a espécie humana, pois nós temos consciência e poder de discernimento entre o certo e o errado, entre o que podemos e o que devemos fazer. A vingança, o rancor e a pena são sentimentos exclusivamente humanos.

 

Crescer significa aumentar de tamanho, no caso de uma árvore este crescimento pode ser vertical, para se tornar mais alta do que as outras árvores ou do crescimento da copa para ter uma área maior e consequentemente, melhor eficiência na produção do alimento. Desenvolver significa criar novas estruturas significa, aumentar em complexidade. Os dois processos são complementares. Uma árvore precisa crescer (aumentar de tamanho) para poder gerar flores e frutos (desenvolvimento).

 

Neste artigo trataremos do crescimento, o desenvolvimento ficará para outra vez. Insetos como a cigarra, por exemplo, ou crustáceos como o siri, a lagosta e o camarão são revestidos externamente por uma couraça chamada exoesqueleto (exo=fora). A sustentação do corpo destes animais é feita por um esqueleto externo, ao contrário do nosso, que é interno (endoesqueleto). Nós crescemos porque nosso esqueleto cresce. Grosso modo, podemos dizer que crescemos de dentro para fora.

 

Tomemos como exemplo o camarão. Como qualquer animal o camarão precisa crescer, só que ele tem a limitação de seu exoesqueleto, que é feito de uma substância que lhe confere dureza e resistência, contra choques e até predadores.

 

Imagine um pequeno rei de 5 anos que precisa ser protegido de seus inimigos. A guarda então decide fazer uma armadura de aço resistente e flexível que lhe protegerá de possíveis ataques, só que o nosso pequeno rei não pode tirar esta armadura em hipótese nenhuma. Cria-se um problema, pois nosso rei tem apenas cinco anos e está em plena fase de crescimento. Para acompanhar seu aumento de tamanho a guarda precisa fazer novas armaduras, de tempos em tempos ele se torna vulnerável durante esta troca.

 

Com o camarão ocorre a mesma coisa, seu crescimento é limitado pelo seu exoesqueleto, como a natureza resolve este impasse? Da mesma forma descrita acima. De tempos em tempos o camarão se livra de seu exoesqueleto, tornando-se extremamente vulnerável e apresentando um crescimento muito rápido até que o novo esqueleto se forme e novamente seja uma limitação de tamanho.

 

Que relações podemos fazer a partir desta realidade?

 

Crescer implica em riscos que temos que correr, se queremos aumentar de tamanho, aumentar nossa área de atuação. Uma árvore que cresce muito rápido tem o seu tronco fino o que a torna mais frágil. Crescer significa expor fragilidades, tornar-se vulnerável muitas vezes. A árvore não tem consciência disso e não pode fazer nada para evitar que isto ocorra, agora, falando de você, que tem consciência dos riscos e pode criar mecanismos de minimizá-los. O que seria dos camarões se eles tivessem opção de não correr riscos ou se vulnerabilizar? Provavelmente não existiriam mais na Terra. Se o camarão, como nós, ficasse apegado ao seu antigo exoesqueleto e não quisesse se desfazer dele não teria como crescer. Quantas vezes isto não ocorre com gente? Temos necessidade de crescer, mas podemos determinar quando fazê-lo. O que ocorre é que muitas vezes achamos que o exoesqueleto que possuímos é o maior que podemos carregar e preferimos nos acomodar nesta posição, nos apegamos às cicatrizes do nosso exoesqueleto e não queremos nos desfazer dele, mas se isto não ocorrer a possibilidade de crescimento também não existe. O medo da vulnerabilidade é outro fator que nos impede de crescer, mas tudo possui outro lado. Um predador que era do tamanho do camarão antes da troca de seu esqueleto se tornará menor após a troca, então aquela proteção era ilusória, e quantas vezes não nos apegamos a esta falsa sensação de segurança e deixamos de crescer?

 

Crescer implica riscos, e com certeza podemos medi-los, determiná-los, minimizá-los. Nós temos até a opção de não crescer conscientemente, mas a única coisa que não podemos fazer é delegar aos outros a responsabilidade de nosso crescimento ou estagnação.

 

(*) Edward Zvingila (Eddie) é Consultor e Diretor da Specimen. É biólogo, um excelente guia de ecoturismo e co-criador do Ecotraining. Co-autor do Manual de Gestão de Pessoas e Equipes – Editora Gente

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