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Os monstros que destroem as equipes

Gustavo G. Boog (*)

Li recentemente o livro do grande Rubem Alves “Sobre Demônios e Pecados”, que me fez refletir como estes “monstros” podem destruir uma equipe. Só conseguimos excelência nos resultados organizacionais e encantar nossos clientes, internos e externos, com um bom trabalho em equipe. Equipes são feitas de pessoas, que podem a qualquer momento serem “atacadas” por estes monstros. Estes são os demônios e pecados que arrasam as equipes. Sabemos que uma equipe de alto desempenho demanda união e integração. Mas sabemos que entre a intenção e a realidade existe um grande espaço…

Numa equipe em que ocorre o alto desempenho, integram-se o foco em resultados, o clima motivador e a abertura para a inovação. Nesta desejada equipe vamos encontrar:

  • Visão e valores comuns, o que leva a coerência entre o discurso e a prática, entre o falar e o fazer
  • Decisão por consenso, alto comprometimento e resolução de conflitos
  • Cooperação e confiança, reconhecendo a interdependência entre as pessoas
  • Boa comunicação: ouvir ativamente, falar com clareza e transparência
  • Bom humor, leveza e descontração
  • Reverência pela diversidade
  • Bom processo na equipe: responsabilidades compartilhadas, definidas e flexibilizadas

Os monstros (pecados) e os respectivos “antídotos”, na tradição religiosa cristã, são:

Monstros Antídotos
Ira Serenidade / Paciência
Inveja Suspender comparações
Gula Moderação
Luxúria Castidade
Arrogância Humildade
Avareza Generosidade
Preguiça Disciplina

Pessoalmente acho que o grande monstro, o pecado maior é a criação de obstáculos, para você mesmo e para os outros, para que o potencial que existe dentro de cada um seja plenamente realizado.

Vamos avaliar o impacto de cada monstro no trabalho em equipe:

Ira – conhecida também por raiva, indignação ou ódio, e pode ser também a impaciência. A ira se manifesta com palavras, gestos e ações raivosas, que de alguma forma visam destruir os outros, ou quando as coisas não estão exatamente como eu gostaria que estivessem. Quando a ira está a serviço de uma causa maior, como por exemplo combater a mentira, a corrupção, a tortura, esta é a “ira santa”, que mobiliza a pessoa pelo amor a uma causa justa, que quando alcançada, a ira acaba. Quando a ira é motivada pelo medo, a pessoa fica tomada pela ira. No trabalho em equipe a ira se manifesta com comentários velados e irônicos sobre os colegas ou o líder da equipe, sobre o andamento das atividades ou sobre características de suas personalidades, e isto tem um efeito devastador sobre o “espírito de equipe”. A serenidade e a paciência ao lidar com situações adversas é um bom antídoto.

Inveja – é o fruto da comparação, do “o que eu tenho” x “o que você tem”, o que geralmente leva ao “o que eu sou” x “o que o outro é”. E sempre teremos alguma coisa a menos que algum outro, o que leva a um profundo sentimento de rebaixamento da autoestima, independentemente de quanto eu tenha. E aí tem início ações para rebaixar ou destruir o que o outro tem. Isto acaba com uma equipe, por exemplo, um colega (e não eu) é escolhido para apresentar um trabalho da equipe para a Diretoria. Este colega tem mais prestígio que eu. E aí a inveja pode destruir tudo o que foi alcançado. Focar-se no que você é e suspender os julgamentos e comparações é uma boa forma de solução.

Gula – é o monstro que precisa ser satisfeito periodicamente, pois não se sacia nunca. A gula significa engolir e ter para si alguma coisa. Tradicionalmente está ligada ao comer em excesso, mas podemos ser gulosos na busca de prazeres, de poder, de dinheiro. Pessoas gulosas numa equipe buscam a satisfação própria e estão “se lixando” para a satisfação das necessidades dos outros. Obviamente a gula cria um desequilíbrio entre o que cada um acha que dá, e o que os outros dão, e o que cada um acha que recebe, e o que os outros recebem. Os gulosos recebem muito e dão pouco, é aí a destruição da equipe começa. A moderação no uso dos recursos minimiza os efeitos negativos da gula.

Luxúria - enquanto a gula se liga mais à comida, a luxúria se liga ao sexo e aos prazeres sensuais. Nas equipes pessoas ingressam numa equipe buscando favores sexuais de algum (ou alguma) colega. A mistura de aspectos profissionais com emocionais costuma criar os chamados “emaranhamentos” que destroem a equipe. Ao separar o que é profissional do pessoal, estaremos sendo “castos”

Arrogância – é também conhecida por vaidade, orgulho, soberba. Quando o arrogante se manifesta, por sua suposta beleza ou inteligência, é visto como o “bobo da corte”, um tolo exibicionista, um “chato” enfim. Na equipe é o famoso “sabe tudo”. Mas o monstro da arrogância se torna perigoso e destrutivo quando se instala em quem tem poder, por exemplo no líder da equipe. Esta arrogância destrói os outros, os humilha, rebaixa seu desempenho, O arrogante inspira desejos de morte, de vingança, de violência. As decisões devem ser as dele, e de ninguém mais. O arrogante julga que sabe tudo, e não tem a humildade de aprender, de dizer “me ensina, eu não sei”. A humildade é também reconhecer que outra pessoa pode ter uma solução melhor que a nossa.

Avareza – é a pessoa que busca o dinheiro em tudo, movida por este desejo, que transforma tudo em valores monetários. Assim, aspectos como a amizade, a dedicação, a confiança, se não puderem ser monetarizadas, não tem valor para o avarento. A busca por dinheiro (poder) de quem é dominado pela avareza torna-se um obstáculo ao bom trabalho em equipe. Ser generoso é o antídoto.

Preguiça – pode ser entendida também como desmotivação, baixo desempenho, desinteresse, bem como a falta de disciplina, de seguir o combinado, de zelar pelo cumprimento dos processos estabelecidos. No trabalho em equipe significa baixo comprometimento com os objetivos da equipe. Mas pode também ser um indicador de que o consenso não foi tão bom,que algum arrogante impôs objetivos, e aí a consequência é o “corpo mole”, o “peso morto”. A disciplina, o seguimento dos processos e o cumprimento do que foi prometido eliminam este monstro.

(*) Gustavo G. Boog é fundador e diretor do Sistema Boog de Consultoria, atuando como Coach sistêmico, Palestrante, condutor de Workshops Comportamentais e de processos organizacionais

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