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O NOVO LÍDER CHEGOU: 
Desenvolvimento de Lideranças Cooperativas pela Dança Circular 

(*) Luiz Eduardo V. Berni

O ser humano é um criador de realidades, assim criamos uma em particular, que ainda vem atuando fortemente sobre nós, trata-se da realidade da competição que nos faz crer que para alguns terem, muitos devem perder. Embora já estejamos nos primeiros dias de uma nova perspectiva, tão anunciada pelo movimento holístico dos anos 80, ainda estamos a mercê de relações internacionais geridas por um sistema financeiro do tipo ganhador-perdedor. Infelizmente assim como a luz das estrelas demora muito para chegar até nós, assim também as mudanças que refletem essa nova consciência demoram também para serem percebidas, entretanto, se olharmos atentamente, veremos que algo está mudando.

Muitos setores da sociedade já vêm atuando nesta nova perspectiva, e muitas organizações empresariais têm tomado a frente em processos que procuram estabelecer reais mudanças, desde a simplificação de organogramas, até a busca pela criação e desenvolvimento de uma cultura cooperativa em seus ambientes profissionais, pelo menos a nível interno, pois os efeitos da competição interna têm se mostrado destrutivo. Muitas empresas vêm se empenhado em demonstrar que empreender não é sinônimo de competir. Assim, programas de treinamento têm procurado, realmente, fazer a diferença. Questões como inteligência emocional, espiritual, uso dos florais no ambiente institucional começam a penetrar lenta, mas, profundamente nas organizações, apesar da esfera política, educacional e macro-econômica continuarem apresentando uma certa letargia à tão necessária mudança. Este fato que não deve nos desanimar, mas antes ser entendido pela perspectiva Kuhniana, que encararia o momento como uma manifestação dos últimos momentos de um paradigma agonizante.

Deste modo, uma nova forma de liderar vem se apresentando como possibilidade ao mundo organizacional e promovendo verdadeiras revoluções silenciosas na maneira de pensar, e agir. Uma forma mais humana, uma liderança pelo exemplo, congruente em si mesma e em sua atuação na construção de equipes de trabalho, times, que vêem no treinador, no líder, antes de tudo, um ser humano, um membro da equipe, honrado e digno de respeito, não porque ele é o melhor, mas porque ele é justo, ético, e procura estar junto. Um líder que respeita seus liderados e permite o desabrochar das competências individuais, sem medo da competição que isso possa gerar ou de ser ofuscado. Um líder que valoriza a cooperação, que tem uma visão abrange da realidade e que vê no brilho do outro seu próprio brilho, não de maneira defensiva como nos mostrou Freud, mas de uma maneira consciente e saudável como demonstrou Maslow, sabendo que a liderança apesar de poder ser de competência técnica, é também situacional e, o mais importante, é humana, como o celebrado Goleman nos apresentou ao resgatar numa leitura neuropsicológica os valores fundamentais do Humanismo. Assim surgem os treinamentos ecológicos, as jornadas em jogos cooperativos que tem se apresentado como possibilidades de vivenciar esta nova perspectiva que traz em si a teoria de Lovelock, e resgata a sabedoria das tradições da Terra. Uma visão onde todos ganham e usufruem um universo abundante, sem medo, sem desperdícios opulentes e consumistas.

E é assim, que a Dança Circular, a dança de roda, prática tradicional dos povos do planeta, vem surgindo como técnica que possibilita de forma singela a vivência e a construção dessa nova liderança. No círculo da dança as individualidades se fundem na coletividade do grupo e todos podem ganhar. Ganham o carinho de estarem juntos, de fazerem a roda rodar… Ganham no toque, no sorriso. Ganham com o olhar…

Na dança de roda, técnica simples que não exige mais do que espaço físico e uma aparelhagem de som, pode-se (re)viver o espaço do estar junto de mãos dadas. O líder apenas facilita o caminho e distribui o poder de liderar pelo grupo liderado. É um exercício de humildade, pois a dança circular é uma dança coral, ou seja, todos devem fazer igual, realizar o mesmo movimento, para que ela seja harmônica. Dançar em roda é mais que um conceito que reflete uma forma, é antes uma ação que reflete um espírito de cooperação grupal.

Mas embora seja simples, não deve ser vista como simplista pois exige “jogo de cintura”. Permite que o erro aconteça, que o conflito se desvaneça e muitas vezes apareça, atua de forma preventiva e curativa. O líder ocupa o espaço do humano, do novo líder, e não dos super-heróis. A dança ao circular pelo grupo traz uma suave alegria e permite que uma dimensão sagrada emirja, a dimensão do encontro entre as pessoas, a mesma que acontecia na tribo, além de trazer também a dimensão do encontro sagrado consigo mesmo, pois como diria o poeta “tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a coluna ereta, o coração tranqüilo”. E o que é mais fantástico dentro do ambiente de trabalho, pois a dança, técnica híbrida, se permite a inúmeras possibilidades: temáticas, festivas, introspectivas, curativas, mas é, sobretudo, como técnica integrativa ou inclusiva que ela se expõe, pois dançar na roda faz com que todos façam parte do grupo, e assim gradativamente vai se tecendo uma nova identidade organizacional, com líderes comprometidos e engajados numa nova ética de ser trabalhando para que todos ganhem.

 

(*) Psicólogo, Mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP, Membro-fundador do Centro de Educação Transdisciplinar – CETRANS da Escola do Futuro USP. Professor do Centro de Estudos Universais da Universidade Anhembi Morumbi onde desenvolve programas de treinamento de desenvolvimento de lideranças, administração de conflitos com professores e alunos, usando como técnica  básica as Danças Circulares. Responsável pelo Programa Dançando pela Paz criado pela Prof. Gláucia H. C. B. Rodrigues. Consultor de Desenvolvimento Humano, diretor da Atrium Saúde & Educação Holística.

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