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O LADO SOMBRIO DA GERAÇÃO Y 

Gustavo G. Boog

Meu amigo, o consultor José Luiz Tejon há pouco escreveu um importante artigo sobre a Geração Y, que denominou “A bolha dos Yexecutivos“, em que alerta sobre como tem sido vendida para os acionistas uma falsa competência e capacidade de gerar valor ao longo do tempo. De verdade, os “Yexecutivos“ nunca trabalham para a empresa à qual servem.  As empresas é que servem, sempre, como uma lancha ou uma alavanca para uma nova posição ascensional da sua carreira. Este artigo de Tejon desmistifica alguns aspectos dessa geração.

A Geração Y tem muitas contribuições importantes para a vida das organizações, sendo parte importante da transformação e revitalização das mesmas. Mas como tudo, tem também um lado sombrio, de dificuldades, que nem sempre é visível. Algumas das características e sombras/ dificuldades dessa geração:

CARACTERÍSTICAS SOMBRAS / DIFICULDADES
Impulsividade e o enfrentamento/ tendem a serem rápidos e imediatistas / querem fazer tudo do seu jeito Tendem a ver os Baby Boomers e Geração X com desconfiança/ dificuldade de planejar o longo prazo
Forte autoestima, compromisso com valores (o discurso deve ser igual à prática) Dificuldade em lidar com a “política interna” da organização
Multitarefa/ nativo digital: altas habilidades com TI/ preferem reuniões virtuais Sempre em busca de novidades, que nem sempre estão disponíveis na velocidade desejada/ as gerações anteriores têm maior dificuldade com TI
“Nós estamos desejosos e sem medo de mudar o status quo” Os processos de mudança organizacional são técnicos e também políticos; tendem a levar tempo
“Vestem duas camisas”: buscam equilíbrio entre trabalho e vida/ querem flexibilidade de horários e preferem roupas informais Conflito entre as expectativas individuais e as demandas do ambiente de trabalho
Preferem relações menos formais e com menor distanciamento hierárquico Têm dificuldades com a hierarquia, pois preferem viver em rede/ odeiam burocracia e controles
Precisam de muito feedback/ têm pouca visão do todo e das consequências de suas decisões, por falta de experiência Não gostam de ouvir críticas/ gestores sobrecarregados têm dificuldades em atender aos frequentes pedidos de feedback
Não gostam do operacional por muito tempo/ fascinados por desafios Dificuldades de concentração, principalmente em tarefas rotineiras
Amantes da tecnologia Pouca habilidade de lidar com questões difíceis envolvendo pessoas
Precisam ver como sua expectativa de sucesso se relaciona com suas metas pessoais/ ambiciosos/ querem promoção rápida/ / querem receber prêmios As possibilidades de ascensão nem sempre estão disponíveis na velocidade desejada
Têm a expectativa de emprego que lhes ofereça a oportunidade de continuarem sua educação e desenvolvimento de habilidades (está no DNA) Nem sempre as oportunidades de aprendizagem estão disponíveis
Alta rotatividade de empregos Em situações de crescimento econômico a rotatividade tende a aumentar / falta de fidelidade (por parte da Geração Y e por parte da organização)

Os membros da Geração Y veem os seus antepassados, a Geração X e Geração Baby Boomers muitas vezes sofrendo com injustiças no ambiente de trabalho, muita dedicação sendo recompensada com um “chute na bunda”, o que faz que eles sejam muito pouco fiéis às suas organizações. A quebra dos “contratos psicológicos” leva os mais jovens a verem com desconfiança promessas futuras: querem resultados já!

Em resumo, a geração Y precisa ter uma visão bem realista do mundo organizacional, da consequência de seus atos, que é bom contestar o status quo, mas é necessário propor alternativas, que os processos nas organizações geralmente não caminham na velocidade com que a  geração Y gostaria e que as oportunidades e promoções são seletivas e devem ser resultado de desempenhos concretos anteriores. Creio que a grande contribuição da geração Y seja exatamente a busca de coerência entre o discurso e a prática (um nefasto “pecado” de tantas organizações), a familiaridade com os recursos da tecnologia, a busca de equilíbrio na qualidade de vida e a busca de aprendizado contínuo.

Cada geração tem uma contribuição exclusiva para o sucesso sustentável das organizações. Assim, o conhecimento das características de cada geração é mandatório para todos, e a base firme para um produtivo diálogo entre as gerações. Esse é o caminho para a realização de todos.

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