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O CASAMENTO PERFEITO

Gustavo G. Boog 

Sempre que uma pessoa é admitida numa empresa, é como se ocorresse um casamento entre esta pessoa e esta empresa. Há sempre um desejo para que esta união seja longa, feliz e produtiva para todas as partes.

Como fazer com que isto aconteça? Não quero dar conselhos ou recomendações; antes, quero fazer uma analogia com os casamentos reais e trocar idéias, compartilhar algumas de minhas vivências e levantar alguns pontos para pensarmos.

Começando com a união: nunca, em hipótese alguma, a empresa, representada pelo chefe e o profissional, devem deixar de ser o que de fato são. No casamento, como na empresa, há sempre três personagens: a empresa, o profissional e a união. Isto quer dizer que cada um de nós precisa aprender a definir seus momentos de equipe e seus momentos individuais. Se o profissional pede um tempo para preparar um projeto, isto não é para a empresa interpretar como rejeição, desprezo ou tentativa de se isolar. Se a empresa muda suas prioridades e desativa um projeto, o profissional não deve levar isto para o lado pessoal. Aprender a equilibrar os momentos individuais com os de equipe é fundamental. Aprender a  “desgrudar” também é importante, sob risco de sufocar a relação profissional. Todos nós precisamos de momentos a sós, de momentos com apenas alguns colegas e de momentos em equipes.

Paciência e tolerância são para ser desenvolvidos. Cada um de nós é diferente do outro. Não se deve embarcar jamais no projeto furado de um querer modificar o outro. Nós só podemos modificar a nós mesmos. Uma grande lição a aprender é que os outros são diferentes, e apenas isto: SÃO DIFERENTES. Nós tendemos a julgar nosso jeito de ser como o certo, e, portanto, se o outro faz diferente, ele está errado. NÃO!!! É só diferente, e não errado. Aprendi com meu amigo Peter Harazin, da Hicon, que as bases da compreensão duradoura são:

  • Eu compreendo, aceito e respeito quem eu sou
  • Eu compreendo, aceito e respeito quem você é, mesmo sendo diferente
  • Você compreende, aceita e respeita a si mesmo
  • Você me compreende, aceita e respeita, mesmo sendo diferente
  • Nós juntos podemos fazer uma grande união

Aprender a ser tolerante e paciente é algo muito difícil. É um aprendizado de toda uma existência. Conviver com as diferenças é difícil, mas se aprende muito com isto.

Outro ponto é que é preciso falar, falar, falar e nunca calar. Não se deve deixar que pequenas frustrações e decepções ou a rotina do dia a dia de cada departamento se transformem em abismos ou muralhas entre as pessoas. Para isto é preciso negociar as metas, tarefas e atividades; estabelecer e honrar limites; ter mecanismos integradores para lidar com as “quebras de contrato”, os esquecimentos ou as “pisadas de bola”; se há boa fé entre as partes, estar disposto a rever e recomeçar muitas vezes; praticar muito o ouvir ativamente, sem ficar na defensiva. A palavra dita é como uma pedra arremessada, uma vez que saiu, já foi. As duas partes devem ser sábias e cautelosas, preservando a relação, sabendo o momento certo de falar, mas não se calando. Isto envenena a alma.

Outra base das relações produtivas é a transformação. Nos muitos anos de relações profissionais e pessoais, as partes vão se transformando. Nós nunca somos e permanecemos os mesmos. Ao longo do tempo vão se desenvolvendo dentro de nós muitos profissionais, assim como as empresas também se transformam. Isto é muito bom, pois se nós fossemos sempre exatamente os mesmos, imutáveis, provavelmente as separações se tornariam inevitáveis. Não é possível um profissional ficar “casado” com a mesma empresa por tantos anos ou até décadas: como de tempos em tempos surgem profissionais e empresas transformadas, não há monotonia e a relação se renova. Jung diz “o que é verdadeiro se transforma, e só o que se transforma permanece verdadeiro. É o que devemos buscar”.

É importantíssimo procurar resolver as pendências no aqui e agora. Não adiar muito, pois isto não faz bem. Antes de a empresa pensar em buscar outro profissional, ou este buscar nova empresa, é bom tentar resolver as divergências. Tenho visto tantos e tantos profissionais  tentarem resolver suas dificuldades trocando de empresa, ou vice versa, e os problemas se repetem: os personagens mudam, mas o script é sempre o mesmo.

Finalmente, a relação profissional precisa ser mais que apenas profissional. Precisa ser também uma relação na qual exista a paixão e o amor por aquilo que se faz. E o amor é muito mais que a paixão. O amor é colocar a visão do conjunto harmonizada com os interesses individuais da empresa e do profissional. O amor é negociação de “quais serão as prioridades deste mês”. Amor é abrir mão de coisas imediatas em prol de coisas mais duradouras. Amor não dá para definir. Amor é para ser vivido, a cada momento, como der e como vier.

Estas palavras não são verdades absolutas. Antes são a fruto da experiência na busca de relações profissionais sadias e verdadeiras. Desejo que as empresas e os profissionais encontrem os seus caminhos e suas formas eficazes de se relacionar, lutem por seus ideais, honrem o seu passado e não desistam de seus sonhos.

 

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