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HUMILDES VENCEDORES

Antonio Carlos A. Telles da Silva (*)

“A humildade é a mãe de todas as virtudes.” – Stephen R. Covey

São muitos os caminhos para o sucesso. E são paradoxais, como o próprio sucesso. A humildade, por exemplo, se reconhecida e explorada como uma “força”, e não como uma “fraqueza”, pode ser um elemento-chave para a formação do tipo de Líder que o planeta necessita urgentemente e o desenvolvimento das organizações que aprendem.

A  humildade favorece o reconhecimento das oportunidades de melhoria. No pólo oposto, a arrogância se constitui num grande inimigo do aprendizado. “É impossível despertar um homem que finge estar dormindo” já diziam os índios navajos, lembra Fredy Koffman (que trabalhou com Peter Senge no MIT) em sua obra sobre Metagestão.

O sucesso corporativo se nutrirá cada vez  de virtudes como a integridade e a  humildade, argumenta  Robert Solomon em sua obra sobre ética empresarial. Na filosofia chinesa a palavra que designa “virtude” (Te, em chinês) também é entendida como “potência”. Para Aristóteles a virtude é o meio-termo entre o “excesso” e a “deficiência” de um traço característico da natureza humana. Segundo Solomon humildade seria resumidamente “ não pensar de maneira excessivamente elevada sobre si mesmo e procurar dar crédito aos outros quando for pertinente”. Quando em  excesso é autoflagelo, humilhação. Havendo  deficiência é arrogância, falso orgulho, autoritarismo, atrevimento. 

Existiriam afinal evidências concretas de que a humildade é uma virtude relevante e pertinente para a gestão eficaz e o sucesso das organizações?

O modelo Líder Nível 5  pode ajudar a responder essa indagação: um indivíduo que alia extrema humildade pessoal  a uma firme vontade profissionalEste foi um dos resultados de um projeto que  consumiu 15 mil horas, durou cinco anos (1997-2001), e analisou o desempenho de 1.435 empresas num período de 30 anos. O trabalho contou com um equipe de 21 pessoas coordenada por Jim Collins- autor de “Feitas para Vencer” e co-autor de “Feitas para Durar”. Segundo Collins o estilo de Liderança Nível 5 “vai contra os ditames do senso comum – particularmente contra a crença de que precisamos de salvadores da pátria com personalidades fortes para transformar as organizações”. 

Mas, quando aqui lançamos um olhar sobre a humildade mais como “força” do que como “fraqueza”, não é a ausência ou presença de determinado tipo de brilho ou magnetismo na personalidade que nos interessa ressaltar. Numa civilização, em que a supervalorização da “aparência” muitas vezes impede a valorização da “essência” o resgate da humildade como uma força é algo promissor. Entretanto, seguindo o conselho milenar do sábio líder espiritual Jesus precisamos ter os “olhos de ver”, pois uma pessoa aparentando modéstia pode ser extremamente arrogante. Da mesma forma, o carisma de um líder não o impede de ser humilde. O ex-presidente Juscelino Kubitscheck  é um exemplo segundo relato minucioso de Cláudio Bojunga- diretor da TV Educativa, que num trecho de sua obra sobre JK cita um comentário de Antonio Houaiss (ex-presidente da Academia Brasileira de Letras)  que sugere o perfil deste grande  líder político brasileiro:  “… ficava ouvindo em silêncio posições divergentes dos auxiliares, confiando mais nas objeções do que no louvor direto… Recebia informações novas, redisciplinando seu espírito”.

Assim, a identificação da força da humildade está mais na “essência” do que na “aparência”. Além disso, há um aspecto paradoxal e binário inerente ao conceito de humildade como força. Por um lado, significa reconhecer a própria “pequenez” (limitações). Por outro lado, significa auto-afirmação – reconhecer a própria “grandiosidade” (imensas potencialidades). Os humildes vencedores são aqueles que buscam o equilíbrio entre essas tendências opostas e complementares. Eles aprendem continuamente. Aprendem a “gostar do que fazem” mas buscam a própria vocação para “fazer o que gostam”. Numa entrevista concedida à imprensa em 1984, o grande poeta Carlos  Drumond de Andrade  disse que não se sentia propriamente um escritor, mas uma pessoa que gosta de escrever.

A humildade  como princípio ético de gestão é um diferencial para os líderes do futuro, pois o sucesso duradouro das organizações dependerá de sua capacidade de valorizar a cooperação e as pessoas que saibam vencer a si mesmas.

(*) Antonio Carlos A. Telles da Silva, Consultor de Ética e Desenvolvimento Organizacional, Diretor da Abissal Consultoria e membro do World Business Academy. Telefone: (61) 9981-2947 e pelo E-mail:acatelle@uol.com.br

 

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