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EMARANHAMENTOS NAS ORGANIZAÇÕES

 Gustavo G. Boog

A palavra emaranhamento tem diversos significados: confusão, embaraço, enredamento, “enrosco”, complicação. Como se vê, não é coisa boa.

A abordagem sistêmica das Constelações Organizacionais ajuda clientes a resolverem situações emaranhadas, tanto coletivamente em workshops, como no atendimento individual do coaching. Esta abordagem reconhece que há um conjunto de elementos que são interconectados na busca de objetivos, formando um todo organizado. Isto significa dizer que as transformações ocorridas em uma das partes influenciam todas as outras, mesmo que tenham ocorrido a muito tempo. Quando há boa integração entre os elementos do sistema, ocorre a sinergia e os objetivos são atingidos, os elementos se relacionam entre si de forma positiva e há um bom fluxo de informações, de matéria ou de energia. Quando ocorrem os emaranhamentos, os resultados são ruins.

Para tornar bem concreto o significado de emaranhamentos, alguns exemplos:

•    Dois dos diversos sócios de uma empresa envolvem-se numa fraude, apropriando-se indevidamente de dinheiro da organização. A saída destes sócios foi traumática•    O dono de uma empresa prestadora de serviços tem altos ideais quanto ao serviço que se propõe a realizar, mas sua estrutura está sub-dimensionada e deficitária. A hipótese, inicialmente rejeitada, de ter um sócio que entre com recursos financeiros, aponta para uma boa solução.•    Um dos donos de uma empresa tem estilo totalmente voltado a resultados. É um verdadeiro “trator” para lidar com as situações dos profissionais de sua equipe, o que tem gerado muitos ressentimentos. Os resultados de sua área vem caindo e as pessoas estão desmotivadas•    Um antigo funcionário, um “quase sócio”, sempre foi ajudado pelos donos da empresa. Ele teve que se afastar, o que gerou ressentimentos e agora move uma ação trabalhista contra a empresa

•    Um profissional altamente capacitado intelectualmente, com belíssima formação acadêmica, quer integrar a dimensão cientifica de seu trabalho com as demandas de um cargo de gestão

•    Um profissional que sempre teve uma carreira bem sucedida quer um novo tipo de trabalho. Não consegue se decidir, pois oscila entre muitas alternativas. Falta-lhe foco

•    Um Diretor tem atenção exagerada na dimensão humana em seu trabalho, e esquece que deve gerar resultados. É um excelente técnico em sua área de atuação, imprescindível aos negócios de sua empresa

•    Profissional jovem não consegue ficar mais de dois ou três meses em cada emprego. Ela se sente sempre maior e melhor que seus chefes

•    Um gestor tem enorme grau de exigências de sua equipe de trabalho. É duro, crítico e promove um perfeccionismo inatingível. Ninguém suporta trabalhar com ele.

•    Diversos profissionais se juntaram para fundar uma empresa, mas não dedicam seu tempo a ela. Nomearam informalmente um profissional como responsável, mas não lhe dão a autoridade formal para tomar as decisões necessárias. A empresa está estagnada num desconfortável patamar de negócios

•    Profissional está “perdido” quanto ao próximo passo de carreira. Fica claro que ele teve uma boa carreira, mas faltou o reconhecimento às pessoas que influenciaram e apoiaram o seu sucesso

A partir destes exemplos, vemos que quando o real não está coerente com o formal, surgem problemas. Existem nestes exemplos o desrespeito aos princípios que regem os sistemas. Além disto, existe a ilusão de que temos a total liberdade para tomarmos nossas decisões, mas fica claro que muitas vezes fazemos parte de emaranhamentos, de situações mal resolvidas a tempos atrás, e que influenciam fortemente nossas ações e decisões de hoje.

Rupert Sheldrake, ao se referir aos “campos mórficos” que estão presentes nos sistemas, disse que “a ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mau, por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina, pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas ad infinitum“.

Bert Hellinger, o criador da abordagem das Constelações, coloca que os emaranhamentos surgem sempre que algum dos três princípios que regem os sistemas não são respeitados. São eles:

•    Ordem – há um sentido de hierarquia, de precedência, que precisa ser respeitado. Os fundadores de uma empresa tem precedência sobre os que vêm depois, as áreas mais críticas ao negócio tem preferência sobre as áreas auxiliares, os que têm melhor desempenho têm prioridade sobre os de pior. A liderança deriva deste princípio da ordem•    Equilíbrio entre o dar e receber – nenhum sistema pode se manter, quando houver um desequilíbrio continuado entre o dar e o receber. No mundo organizacional as pessoas recebem salários materiais e psicológicos, oportunidades de desenvolvimento e de carreira e outros tantos fatores. Em troca devem dar seu tempo, seu desempenho e atingir resultados. Quando surgem desequilíbrios, problemas aparecem•    Inclusão – todos queremos nos sentir parte de vários sistemas, queremos ter o direito de pertencer. A família e a organização representam exemplos. A exclusão, quando percebida de forma inadequada ou injusta, causa emaranhamentos tanto para quem sai como para quem fica.

Baseado em Hellinger, podemos fazer algumas reflexões, que nos ajudam a identificar onde estão os emaranhamentos:

1 – Quando pensamos em nosso trabalho, na organização, o que está a serviço da vida? a serviço de quem está nosso trabalho?

2 – O que está fora de ordem? Onde estão os desequilíbrios? Há excluídos?

A pergunta que não quer calar: como sair dessa? que soluções existem?

A busca de um workshop público de constelações, quer familiares ou organizacionais é uma possibilidade de solução, onde você vai  identificar onde está o emaranhamento e vai poder avaliar as alternativas de resolução. Outra alternativa é a busca de um profissional que ofereça coaching baseado na abordagem sistêmica. A leitura de livros e a busca em sites ligados ao tema pode ser outra indicação de onde encontrar soluções. Boa sorte!

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