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DESPERTE A PAIXÃO PELA PESCARIA AO INVÉS DE ENSINAR A PESCAR!

 Roberto Zardo (*)

 Como grande parte dos caipiras, também passei muitas horas da minha vida sentado nas barrancas de rios pescando. Lembro-me como se fosse hoje do local na querida cidade de Videira/SC, onde após “largar” no final da tarde o trabalho de office boy, investia um tempo legal pescando lambaris.  Também como bom caipira, recordo-me do ditado que diz: “é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe”. Continuo concordando com o ditado, todavia tenho hoje a convicção de que ele esta incompleto.

Durante meu curso de mestrado em administração tive a oportunidade de aprender um conceito fundamental de Chris Argyris e Donald Schön sobre aprendizagem organizacional. Os autores argumentam que ela ocorre de duas formas. Uma é chamada de circuito simples, em que basicamente é feita uma pergunta de única dimensão para que seja deduzida uma resposta unidimensional. O exemplo utilizado é o termostato, aparelho que mede a temperatura ambiente em relação a um valor que foi padronizado por alguém e que irá ligar e/ou desligar toda vez que a temperatura estiver fora dos padrões determinados. A transição é binária e a maior preocupação é com a manutenção de um determinado estado. A outra chamada de aprendizagem em circuito duplo usa uma ou mais etapas adicionais. Nesse tipo de aprendizagem a pergunta é devolvida ao seu proponente. Voltando ao exemplo do termostato, a aprendizagem em circuito duplo questiona o valor definido como padrão e, também, se a fonte de calor presente seria o meio mais eficaz para alcançá-lo. Na aprendizagem de circuito duplo, as perguntas são feitas não apenas sobre fatos objetivos, mas também sobre as razões e motivos existentes por trás deles.

Colocando na “mesma frigideira” os conceitos de aprendizagem de circuito simples, circuito duplo e a constatação de que a maioria das pessoas ainda segue rigorosamente as “ordens” de seus gestores sem questionamentos, podemos voltar ao começo do artigo e explicar os motivos da inquietude com o ditado popular: “é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe”.

Acredito que ensinar a pescar continua sendo melhor do que dar o peixe. Todavia, penso que o aprendiz pode “sacar” um método de pescar melhor do que aquele que lhe foi ensinado por alguém. Acredito também que a aprendizagem de circuito simples não é algo ruim em si. Mas ela é limitadora. Inibe a criatividade e inovação. Portanto nosso ponto de discordância esta na limitação “imposta” ao aprendiz. Nossa proposta é ampliarmos o ditado para algo como: “Não basta ensinar a pescar. É preciso despertar a paixão pela pescaria e, pelo compartilhamento do que foi pescado”.

Se investirmos nosso tempo e outros recursos no processo de despertar no aprendiz a paixão pela pescaria, é bem provável que ele encontre um método melhor. Como? Desafiando os padrões existentes no método que lhe foi ensinado, desafiando os padrões “normais” para pescaria, “quebrando a cara” para descobrir um método mais eficaz e/ou prazeroso. Enfim, sair do circuito simples. Usar o circuito duplo, desafiando os padrões. Desafiando “as ordens”. Encontrando algo que no início pode ser mais “penoso”, pelo enfrentamento dos riscos inerentes ao desafiar os padrões e ordens, mas que ao final será recompensador pela inovação alcançada. Outro aspecto relevante é o compartilhamento do resultado, os peixes em si, e do processo, aprendizado pela tentativa e erro. Isso certamente possibilitará a ampliação do conhecimento sobre pescaria e ampliará os resultados para além daqueles óbvios e triviais.

Recomendo que o leitor transfira as bases usadas para construção dessa metáfora para a vida pessoal e profissional. É bem provável que tenhamos oportunidades imensas ao não nos contentarmos apenas com aquilo que nos foi ensinado. Com as ordens que recebemos. Se conseguirmos despertar nossas paixões internas, literalmente “o mar é o limite” (para fazer sentido com a metáfora da pescaria).

Referências bibliográficas: ARGYRIS, C. e SCHÖN, D.

 

(*) Roberto Zardo é sócio diretor da Zardo & Associados, consultoria com foco em processos em gestão de pessoas e de negócios(www.zardoeassociados.com.br). É técnico mecânico, economista, MBA em Recursos Humanos e Mestre em Administração de Empresas. Trabalhou nas empresas General Motors, Johnson & Johnson, Cargill e Natura, e é Diretor Institucional da Fundação Nacional da Qualidade.

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