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DESAPOSENTADORIA: Mais do que uma palavra…

Armelino Girardi (*)

Neste artigo vou esclarecer o que defino como desaposentadoria, respondendo, dessa forma, a diversas perguntas que recebo de leitores.

O termo desaposentadoria representa mais do que a simples equação representada pelo prefixo DES + palavra APOSENTADORIA. A proposta, como o termo sugere, é promover a desconotação, adesestigmatização e a desrotulação negativas que cercam essa fase de transição de vida. Valho-me desse prefixo para, antagonicamente, redefinir o tradicional (e hoje falso) conceito de aposentadoria. Assim, emprego tal prefixo justamente para procurar inverter esse sentido.

O emprego da palavra desaposentadoria é comum em meus cursos, palestras e artigos. Certa vez cheguei a ser questionado se, com isso, não estaria denegrindo o termo clássico e reforçando a sua estigmatização. Nesses casos, respondo que minha intenção é justamente esta, ou seja, provocar questionamentos, reflexões e discussões sobre o papel do aposentado na sociedade moderna, bem como a conotação que o termo aposentadoria adquiriu no imaginário popular e no mundo corporativo. Por meio dessa saudável e virtuosa discussão, quero mostrar o grande “gap” (diferença) que existe entre o fato de se viver como aposentado “acomodado ” e na condição de desaposentado.

A palavra aposentadoria vem do latim pausa, o que no português sugere parar, deter, ou, literalmente, recolher-se ao aposento, pôr-se de lado… Todos esses sentidos correlatos estão fortemente ligados à idéia de descanso, em termos de parada, de fim do caminho, de ociosidade, inatividade e outros tantos adjetivos mais depreciativos do que enaltecedores. Digo isso porque parar, descansar, retirar-se é a tradução literal da palavra em diversos idiomas. Portanto, não é de estranhar que até hoje, culturalmente, a aposentadoria seja interpretada como sair da ativa, retirar-se, recolher-se (aos aposentos).

Na língua inglesa é “retirement” (retirada), no sentido de recolher e de viver também para os seus pensamentos. No francês é retraiter,no sentido de retrair. Em espanhol o termo utilizado é jubilar (se), derivado de jubileu.

Ademais, você já notou que aposentado, no inconsciente das pessoas mais pessimistas, rima com desocupado, discriminado, despejado, desatualizado, desanimado? No imaginário popular, aposentadoria significa recolher-se ao seu  solitário e monótono aposento caseiro munido daquilo que costumo definir como o Kit Aposentadoria: pijama, chinelos, cadeira de balanço, jornal, palavras cruzadas, TV com controle remoto….

Faço questão de salientar que aqui também não vai nenhum demérito aos itens que compõem o kit aposentadoria. Do pijama ao jornal. Da cadeira de balanço à televisão, cada figura tem seu significado particular, desde que usada adequadamente e, sobretudo, moderadamente. O que quero mostrar é que usar pijama é ótimo, mas não, necessariamente, o dia todo. Ler jornal ou livros, assistir à TV ou ficar conectado à Internet são hábitos indispensáveis para se manter informado. Palavras cruzadas são exercício para manter a mente ativa. Enfim, tudo é válido para preencher o tempo vago, desde que não vire a principal rotina diária.

O que proponho não é abandonar o kit aposentadoria, mas incentivar que a pessoa procure outras formas produtivas de passar o tempo, com atividades que reforcem sua autoestima e o senso de pertencimento. Com a definição de desaposentadoria, propositadamente quero criar um impacto inicial positivo nos leitores, com o propósito de desconstruir sua atual conotação nos âmbitos popular, corporativo e familiar.

Nesse raciocínio, desaposentadoria poderia ser, portanto, sinônimo de ocupação, atividade, bem-estar físico, mental, espiritual e emocional. Ou significar tranquilidade, realização pessoal e harmonia familiar. Ou ainda, amor em seu estado mais supremo e felicidade em sua plenitude.

Mas deixo sua definição em aberto para ser estabelecida a partir do ponto de vista de cada leitor, de modo a não correr o risco de rotular. Um conceito, no entanto, parece-me básico: “Ocupar a cabeça, a mente e o coração com algo que lhe dê prazer, seja em atividades remuneradas ou não, com o propósito de reforçar a sua autoestima e fazer com que se sinta útil e necessário à sociedade.”

Dessa forma, posso concluir afirmando que desaposentados são os aposentados que continuam sonhando, que transformam os  sonhos  em projetos e os projetos em vida.

(*) Armelino Girardi é consultor e criador do site www.desaposentado.com.br

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