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CELEBRAÇÃO DA ABUNDÂNCIA

Gustavo G. Boog

Quando o termo abundância nos toca, usualmente pensamos na sua dimensão mais visível: muito dinheiro, comida, diversão e patrimônio. Este é um dos aspectos da abundância, mas não é o único. Tendemos a confundir a abundância com o ter em grandes quantidades, e de preferência crescimento ilimitado…

Uma das versões que explica nossa visão da abundância tão centrada nos aspectos materiais é o ancestral medo de morrermos de fome, que herdamos de nossos antepassados. É o medo da carência, da escassez e da pobreza. Mas outras carências, igualmente importantes, também existem, e isto nos convida a repensar e a transformar nossos paradigmas sobre a abundância.

Abundância é algo muito mais amplo que o material, abrangendo aspectos como a fluidez com que lidamos com nossa vida, os relacionamentos compensadores, a conexão com nossos propósitos e o reforço de nosso poder pessoal. Isto pode ser aplicado nos indivíduos, nas organizações ou nas comunidades.

Os colegas Consultores do Núcleo Maturi – Ecologia Social dividiram conosco o conteúdo de uma Conferência do economista Manfred Max-Neef, Prêmio Nobel Alternativo em 1983, que definiu as necessidades humanas em subsistência, proteção, afeto, entendimento, participação, ócio, criação, identidade e liberdade, cada uma nas dimensões do ser, estar, fazer e interagir, gerando uma matriz de necessidades humanas com 36 células. A carência, a pobreza vai muito além a subsistência, e, se exageradamente prolongada ou intensa, gera patologias individuais e coletivas.

A abundância depende diretamente de não deixarmos a energia parada (o dinheiro é uma forma de energia). Água parada significa estagnação. Nossa energia são nossos potenciais, patrimônio e talentos, que sempre devem estar em movimento e a serviço de uma causa justa. Caso contrário nos sentiremos pobres: é como se tivéssemos milhões em nossa conta bancária e não usufruímos. Deus nos deu talentos e potenciais para serem plenamente utilizados. Se meu foco é a carência, o medo, a falta de confiança, o “eu não mereço isto”, a abundância se transforma em escassez.

Em seu livro “The Alchemy of the Desert”, a terapeuta Cynthia A. K. Scherer descreve com sabedoria os aspectos centrais da abundância: “Abundância é o estado natural do Universo. É viver a cada momento em gratidão pelo que este momento nos trás. Quantos de nós já se encontraram acreditando que não há suficiente de alguma coisa em nossas vidas? Não há suficiente dinheiro, tempo, energia, recursos?” Cynthia nos ensina a trocar de perspectiva, saindo da falta e da limitação com uma frase como “Eu não tenho o que preciso agora” por “Eu sempre tenho tudo o que preciso, a todo momento”. “Talvez uma das maiores coisas para internamente harmonizar a nós mesmos com a abundância é o delicado equilíbrio da nossa vontade pessoal com a Vontade Universal”.

O sentido da abundância se conecta diretamente aos nossos propósitos de vida, que devem estar alinhados com propósitos maiores. Se definirmos o nosso sucesso como pessoas, como profissionais, como empresas apenas na medição da margem de lucro do mês, no nosso saldo no banco ou no nosso estoque de comida em casa, poderemos entrar num estado de profundo desapontamento.

Quando a abundância se manifesta de forma equilibrada em todas nossas dimensões de vida, no material, no vital, no emocional e no espiritual, com certeza ela se torna muito mais duradoura. Isto não é uma condenação à busca de abundância material, pois é muito bom e gostoso poder se vestir bem, ter uma casa confortável, ter um carro bonito e poder viajar. Mas, a vida é muito mais que isto. Podemos ter abundância, mas sem o apego a este bens. Dinheiro não é um problema, mas o apego ao dinheiro sim. Com esta visão ampliada de abundância, é possível passar pelos obstáculos, adversidades e crises da vida com uma perspectiva e um ânimo novo.

Abundância é um estado de espírito. A questão da abundância se liga a nossa contribuição. Será que ter o último modelo do carro mais desejado é o indicador único e último de nosso sucesso? Pode ser que sim, pode ser que não. Caso eu tenha dedicado minha energia quase que exclusivamente ao trabalho, visando o carro, às custas de minha saúde, da relação com a minha família, amigos ou da Natureza, será que esta “abundância” valeu a pena?

Às vezes a vida nos coloca em crises para mostrar que temos que ter outros focos de nossa atuação. Uma pequena semente, numa clareira na floresta, gera uma árvore que cresce muito rápido para poder chegar “a um lugar ao sol”. Mas, para crescer rápido, a árvore não tem tempo nem energia para construir um tronco forte que a sustente adequadamente. Quando chega ao seu lugar ao sol, a árvore volta suas energias não mais ao crescimento, mas à sustentação. Esta busca de ser mais equilibrada como árvore pode ser considerada “falta de abundância”, por que deixou de crescer? Este “recuo” pode ser considerado uma perda?

No mundo empresarial o conceito de abundância também precisa ser ampliado e seus executivos devem ser reconhecidos por quanto contribuem para este conceito amplo, nos aspectos de resultados, de pessoas e de inovação.

Dedique tempo para responder e refletir sobre as questões abaixo. Sugiro que anote suas respostas e as reveja de tempos em tempos:

EU MINHA EMPRESA
Quais são os “indicadores de abundância”?
Onde são focadas a atenção e energias?
A busca de abundância está bem equilibrada?
Como se lida com as adversidades?
O que deve ser mantido? O que deve ser transformado?
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