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ASSÉDIO MORAL

 Tânia Zarpelão (*)

Assédio moral são atitudes, palavras, gestos, realizados de maneira frequente durante um período de tempo, no sentido de desqualificar, humilhar e desvalorizar a vítima (assediado). Ocorre em todo ambiente onde há mais de uma pessoa – sem necessariamente existir uma hierarquia na convivência , podendo acontecer na família, empresas, escolas, clubes, etc.

Embora seja mais comum ouvir que um gerente assediou um subordinado, pois ele se utiliza das vantagens do cargo para exercer o poder de coerção, o assédio moral pode ser identificado entre irmãos, primos, pais e filhos, casais, colegas de trabalho no mesmo nível de carreira, alunos e professores, enfim, esse tipo de comportamento não requer uma posição de destaque em relação ao assediado para a prática da ação.

O assediador pode começar de forma discreta, dissimulada, ou cruel. Discreta, por exemplo, quando um simples apelido vai tomando corpo dentro da organização. A cruel, por sua vez, vai desde a utilização de tom de voz, gesto ou olhar que demonstra ao assediado o quanto ele não tem valor, até a sua humilhação em público.

O profissional assediado moralmente tende a perder a qualidade nos serviços, fica desmotivado, podendo adoecer, além de ficar desatento, ineficaz e sensível às críticas. A intenção do algoz é fragilizar a vítima.

Nem todo assediador é consciente, mas, em boa parte de sua história profissional ou familiar, ele acredita agir da forma correta, pois “se não for duro o outro nunca vai melhorar”.
Existem diversas formas de coibir um assediador, e não cabe apenas ao departamento de recursos humanos ser o único responsável pela resolução do problema. O ideal é criar situações coletivas, envolvendo diversos setores, formando um “comitê multidisciplinar”. Esse grupo deve integrar pessoas de confiança dos profissionais da empresa, (médicos, assistente social, psicólogo, representantes da Cipa, entre outros) com a responsabilidade de estabelecer ações para a empresa, como: workshops, para todos os profissionais se conscientizarem do que é o assédio moral e quais as suas consequências; criação de um canal aberto, como ombudsman; jornal interno; o uso da intranet; programa de sugestões; postura da direção da empresa com informativos da não-concordância e repúdio por esse tipo de comportamento, entre outras formas de esclarecer o quanto esse comportamento não é saudável para os profissionais, empresa e sociedade.

No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê, no artigo 483, alíneas “a” e “b”, situações para rescisão do contrato de trabalho a pedido do empregado por culpa do empregador, que vem ao encontro das situações caracterizadas por assédio moral nas empresas, podendo, inclusive, pleitear-se uma indenização. Até o momento, ainda não existe lei especial para tratar o assunto, mas já estão em trâmite alguns projetos de lei para inibir tal prática e inserir o assédio moral no Código Penal Brasileiro, com multas e punições para seus causadores.

 

(*) Tânia Zarpelão é socióloga, consultora organizacional e coach
tazarp@terra.com.br

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