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A QUEM DEVEMOS OBEDIÊNCIA?

Gustavo G. Boog

O termo obediência significa, segundo o dicionário: sujeitar-se à vontade de; estar sob a autoridade de; não resistir, ceder; estar ou ficar sujeito a uma força ou influência; submeter-se ao mais forte, render-se; cumprir, executar. Todas estas colocações parecem estar na “contramão” do sentido do desenvolvimento, da parceria, da autonomia, da participação de decisões, do “ser responsável”. No sentido usual, obedecer parece estar próximo da submissão, onde alguém determina e outro obedece. No dicionário obediência tem um sentido próximo de vassalagem.
Este foi o “nó” que tive de desatar em minha cabeça.

Para mim é claro que simplesmente obedecer, seguir as ordens hierárquicas (e talvez impositivas) de meu chefe numa empresa não me parece adequado. A frase “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ainda está presente em muitas empresas, e é vista como algo que as pessoas têm que suportar. No modelo da liderança situacional, cabe uma ação mais diretiva do líder quando o liderado não tem experiência, conhecimento, informações e motivação suficiente para desempenhar uma tarefa. Um novato, numa área de risco da empresa, deve sim obedecer (com rigidez) a todos os procedimentos de segurança da empresa. O que é ruim é quando o chefe só sabe agir desta forma. Diria que na maioria das situações, os subordinados têm um grau de maturidade elevado ou querem rapidamente adquirir este grau. Portanto, esta obediência se presta a poucas situações específicas.

A obediência pode ser entendida também como “cumprir aquilo que foi combinado”. E aí as coisas mudam de figura. Se, por exemplo, numa decisão em equipe, após muita discussão conseguimos um consenso sobre as ações a serem tomadas, é esperado que, uma vez que todos tiveram a real oportunidade de se expressar, e acertaram uma decisão, então esta deve ser OBEDECIDA. Este é o compromisso mínimo que expressa o comprometimento dos envolvidos com uma decisão que beneficia o todo. É como um contrato que deve ser cumprido (OBEDECIDO).

No ser humano sempre existe a polaridade entre o meu melhor interesse e o melhor interesse do todo. Neste processo há perdas e ganhos. Mas aquilo que foi livremente combinado, acertado e contratado, deve ser obedecido. A “não obediência” deve trazer consequências a quem quebrou o pacto. A palavra obediência nos mostra que existem instâncias maiores às quais devemos seguir. Posso usar meu livre arbítrio para desobedecer a um semáforo vermelho ou um limite de velocidade no trânsito?

Cada um de nós deve obedecer às demandas de sua missão pessoal: nós temos nossos talentos e potenciais, nós temos um papel no mundo, que muitas vezes nos gera stress e momentos difíceis. Nós temos que OBEDECER a estes mandatos internos, e se não formos na direção de nossos objetivos maiores, pagaremos um preço por isto.

Há anos atrás tive um desentendimento sério com um colega de RH, que ocupava um alto cargo na hierarquia da empresa. Ele reclamou que seu chefe, o Presidente, o “obrigara” a obedecer e a tomar uma ação que era claramente ilegal, e que ele, na condição de subordinado, não tivera outra opção senão obedecer à determinação (estamos falando de uma ação que infringia a lei!). Em seu entendimento, cabia a ele, como subordinado, apenas OBEDECER a seu chefe. Aí eu argumentei que na realidade ele não quis assumir as consequências de se negar a cumprir uma ordem absurda. E com isto a relação entre este colega e mim ficou bastante abalada…

No Tribunal de Nüremberg, após a 2ª Guerra Mundial, os criminosos de guerra nazistas se defendiam, dizendo que apenas cumpriam e obedeciam a ordens!

Cada um de nós tem seu livre arbítrio, e sempre arcaremos com as consequências de nossas decisões. O que não podemos é nos colocar como meras peças de uma máquina, como vítimas de chefes ou  governantes insensíveis. Todos somos responsáveis por 100% do que fazemos. Gosto de uma frase do livro “The portable LIFE 101”: “Quando algo ocorre a você, explore isto. Provavelmente você irá ver que tem algo a ver com o que está ocorrendo: ou você criou a situação, ou a promoveu, ou – no mínimo – permitiu que ela ocorresse”.

Sugerimos que dedique tempo para responder e refletir sobre as questões abaixo. Sugiro que anote suas respostas e as reveja de tempos em tempos:

- A quem eu obedeço? Isto é fonte de alegria ou de frustração? Esta obediência promove ou retarda o meu desenvolvimento? Posso fazer algo a respeito?

- De quem eu exijo obediência? Isto é fonte de alegria ou de frustração? Posso fazer algo a respeito? Crio condições para o desenvolvimento dos outros?

- Tenho clareza de minha missão pessoal? Busco colocar em prática em minhas ações do dia-a-dia?

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