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A DANÇA DAS ESTAÇÕES

“A vida é mesmo assim, sol e chuva se alternando sem para.”

Osho

Sempre achei que a vida imita a natureza e que dentro de nós há um estado de espírito que se alterna continuamente, às vezes, fazendo com que vivemos internamente, todas as estações, em um único dia. Como é um movimento cíclico, imaginemos que ele começa com a primavera, uma época de preparação para a loucura do verão, um esquentar de turbinas, como a criar um clima para o grande clímax. Na nossa vida, a primavera representa o doce amor, o prazer de estar junto, a calma e a tranqüilidade gostosa de estar com os amigos e a alegre espera de uma festiva estação. Um Tempo de flores e frutos e de rara beleza e paz.

 

Aí vem o verão, como diz a música “Vem chegando o verão, com o calor no coração”. Se a primavera é o tempo do amor, o verão é de sexo e paixão. Tempo de sol brilhando forte, do erotismo das praias e festas, de prazeres desenfreados e de loucuras desmedidas. Assim como no verão tudo fica mais claro e brilhante e ficamos mais radiantes. Tempo de festa, culminando com a folia do carnaval, quando carregamos “nossos celulares” na tomada da fantasia para agüentar a realidade. Mas como tudo passa e tudo sempre passará, chegamos às cinzas e ao tempo da quaresma, é a vez do outono.

 

No outono, começamos a cair na real, enquanto caem as flores e frutos. Tempo de secar para renascer. É o ocaso, e como é importante o ocaso para nossa renovação. Ele nos prepara para o inverno, diminui o choque térmico da mudança, acomoda a nossa alma. Ë quando vemos se nosso caso de verão era amor ou só paixão, é quando vamos contar os estragos e as finanças. É o acordar de um frenético sonho.

 

Então, chegamos ao inverno. Temido e tenebroso inverno. Tempo de ventanias, chuvas e destruição. Tempo de testar se nossa casa interna, assim como na história infantil ‘Os Três Porquinhos’, é de palitos de fósforo ou de cimento e tijolo. Quando vamos ver, como ficaremos, na hora que o lobo mau da adversidade soprar a nossa tragédia. Mas é também o tempo de chuva caindo na janela, de lareira, vinho, de fondue e também de se encostar em quem amamos numa noite chuvosa. E é justamente no inverno, quando tudo parece perdido, que começamos, de novo, a ver a luz no fim do túnel, luz trazida pelo sol de uma nova primavera.

 

Sábio não é o que sempre busca enlouquecidamente o verão, nem o que se defende a todo custo do inverno, mas o que entende que tudo é transitório e impermanente e que a beleza das estações está na sua diversidade. Só assim, podemos celebrar cada estado, seja de clima ou de espírito, como único e especial em nossas vidas.

 

Victoriano Garrido Filho

www.vgarrido.com.br

 

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