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A AVENTURA DE ESCOLHER O PRÓPRIO DESTINO

Jorge Maurício de Castro (*)

Estamos vivendo uma das maiores mudanças filosóficas que a sociedade já experimentou nos últimos tempos. Pode parecer uma constatação por demais óbvia. E é mesmo. Mas não consigo me calar ao ver, feliz, pessoas com coragem de tomar decisões que contrariam o status quo mas fortalecem a prática dos seus valores, e, por conseqüência , sua razão de viver. Falo de projeto de vida, de coerência entre valores e atitudes, da percepção de que ao menos esta vida é única.

 

Desde a Revolução Industrial, talvez até desde bem antes, já que existem algumas citações bíblicas assim interpretadas, o ser humano passou a cultivar o trabalho e suas obrigações decorrentes como principal foco de sua vida. Daí até o culto aos workaholics da década de 80 foi um pulo. E num planeta eminentemente capitalista, fica difícil dissociar trabalho de dinheiro. Assim, forma-se o círculo vicioso de mais trabalho para mais dinheiro que exige mais trabalho e por aí se caminha. A sociedade de consumo, feliz, aprova e apóia este sistema, sem se dar conta que ele, entre outros males, gera um enorme contingente de excluídos, tanto do trabalho como do dinheiro. Além dos excluídos de si mesmo.

 

Hoje, apesar das máquinas terem absorvido boa parte do trabalho humano de séculos e décadas passadas, tem-se a nítida sensação de que há menos tempo disponível. Há quantas semanas você não tem tempo para si e seus amigos ? Qual a última vez que se permitiu “jogar conversa fora” ? Bem diz Oswaldo Montenegro na sua A Lista: “ faça uma lista dos grandes amigos que você mais via há 10 anos atrás. Quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais ?” Ou Domenico          De Masi, em A Economia do Ócio, editora Sextante: “As máquinas absorveram de forma crescente o trabalho humano, mas não liberaram o homem do trabalho. Não lhe restituíram o tempo. Quanto mais o homem delega à maquinaria o esforço físico, mais se vê tentando preencher o tempo que lhe sobra multiplicando suas preocupações intelectuais. E como estas preocupações são todas reguladas por normas, acordos, contratos, controles e prazos, enquadram-se muito mais na natureza do trabalho que na do tempo livre.”

 

Esquecemos que igual a hoje, só mesmo hoje. E que nossos filhos não voltarão a ser crianças, que nunca mais poderemos buscá-los no colégio ou nas festinhas e que, daqui a pouco, eles é que vão querer nos ensinar as artimanhas da vida sexual.

 

Em trabalhos de aconselhamento que realizo com profissionais quase sempre bem sucedidos na carreira e financeiramente, consigo notar um elo comum: a falta da expectativa da felicidade. Um duro golpe para quem tem muito. São pessoas que, em certo momento de suas vidas, passam a questionar o porque de tudo. E muitas vezes chegam a conclusão de que suas atitudes ao longo da vida foram dissociadas de seus valores mais pessoais. Construíram um império mas esqueceram-se de construir a si próprio, a família, o amor, as paixões pessoais. E ficam tristes com isso. E procuram mudar enquanto é tempo. E sempre há o tempo de começar. “Começar de novo e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido” como nos ensina o Ivan Lins. Muitos são levados à forçosa reflexão após receber pancadas da vida: uma separação, filhos sem afetividade, um enfarte e outras mazelas. Mas vejo, exultante, que hoje cresceu a preocupação da sociedade como um todo com a qualidade de vida e, principalmente, a coerência entre os valores e as atitudes. Várias são as reportagens sobre o tema, os “cases” que ouvimos dos amigos e a procura por ajuda. Treinamentos alternativos também estão acontecendo aos montes. Num deles, nos Estados Unidos, executivos são colocados em frente a bandidos de todo tipo. O objetivo é fazer com que os executivos ouçam atentamente o que os bandidos têm a dizer. Invariavelmente eles falam de seus valores: liberdade, família, sentido de vida , amores vividos. Enfim, das coisas de que foram privados. A conclusão a que os executivos chegam é que também estão presos. São escravos do tempo, dos compromissos, das viagens de negócios, das “necessidades” financeiras.  E saem dali bem diferentes.

 

Pare um pouco para pensar. Faça uma lista das coisas que você não precisa e veja quanto está pagando por elas. Faça sua cotação em moeda emocional que, afinal, é a que mais vale. Descubra onde estão os maiores desperdícios de tempo. È mesmo preciso trabalhar tanto ? Será necessário ganhar mais dinheiro do que realmente necessitamos? Por que postergar o hoje e viver só no amanhã ?

 

Tente descobrir o quanto você se escravizou ao estereótipo do corpo malhado, da roupa de griffe ou dos valores da moda ? Será que você não anda meio afastado de si próprio ? Onde está sua felicidade: no porta malas do carro do ano ou naquelas coisas que você gostaria de ser e não é, de fazer e não faz ?

 

Abasteça-se de amor  e pegue a estrada da mudança. Não tenha medo da estação de chegada. Lá certamente tem alguém muito especial à sua espera: você !

 

(*) Jorge Maurício de Castro, Professor de pós-graduação e Diretor JMC Treinamento e Consultoria. E-mail: jorgemc@terra.com.br

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